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Serra do Japi revela espécies de libélulas nunca vistas em São Paulo

Pesquisadores da USP flagram três novas espécies de libélulas pela 1ª vez em SP Divulgação / pesquisadores Um levantamento inédito realizado na Serra do ...

Serra do Japi revela espécies de libélulas nunca vistas em São Paulo
Serra do Japi revela espécies de libélulas nunca vistas em São Paulo (Foto: Reprodução)

Pesquisadores da USP flagram três novas espécies de libélulas pela 1ª vez em SP Divulgação / pesquisadores Um levantamento inédito realizado na Serra do Japi (SP) registrou pela primeira vez a ocorrência de três espécies de libélulas no estado de São Paulo. A descoberta, fruto de uma expedição de pesquisadores da USP, UFS e UFSCar no fim do ano passado, revelou ainda a presença de insetos raros e quase ameaçados de extinção em plena Mata Atlântica de Jundiaí (SP). 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A Serra do Japi A Serra do Japi abriga uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica no interior de São Paulo. O território fica entre os municípios de Cabreúva, Cajamar, Jundiaí e Pirapora do Bom Jesus, em meio às regiões metropolitanas de Campinas e da capital. Veja mais: 'OCEANO SEM LUZ': Estudo revela enigma sobre os micróbios mais abundantes das profundezas MURIQUI: Grupo do maior primata das Américas será reintroduzido após sete anos de preparação AMEAÇA: Camarão asiático gigante invade áreas protegidas no Brasil Apesar da proximidade com os aglomerados urbanos, a serra preserva uma rica vida selvagem. Na década de 1990, o município de Jundiaí transformou um território de 20 quilômetros quadrados em reserva biológica. Foi exatamente nessa área que pesquisadores realizaram o primeiro inventário focado em insetos da ordem Odonata. O nome da ordem faz referência aos dentes fortes e robustos presentes nas mandíbulas dos indivíduos adultos. Serra do Japi revela espécies de libélulas nunca vistas em São Paulo Divulgação / pesquisadores A bióloga e aluna de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), Aline Gonçalves, explica a origem do trabalho: "O interesse surgiu durante uma disciplina de Entomologia de Campo do Programa de Pós-Graduação em Entomologia da USP. A Serra do Japi é uma das áreas mais importantes para a conservação da Mata Atlântica no estado de São Paulo, mas até então não existiam estudos focados especificamente na fauna de libélulas e donzelinhas da Reserva Biológica. Isso despertou nosso interesse em realizar um levantamento inicial da biodiversidade local". O levantamento reuniu pesquisadores da USP, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Além de Aline Gonçalves, a equipe contou com Antonio Bruno Silva Farias, Camila Eduarda Fernandes Pires, Tomás Matheus Dias-Oliveira, Eike Daniel Fôlha Ferreira, Herbeson Ovidio de Jesus Martins, Carlos A. Martínez-Martínez, Giovana Leme Bartoletti, Maria Virginia Urso-Guimarães e Jean Carlos Santos. Veja o que está em alta no g1: Agora no g1 Predadores eficientes As libélulas e as donzelinhas atuam como excelentes caçadoras de mosquitos e de outros pequenos insetos. Embora muito parecidas, elas apresentam diferenças na anatomia e no comportamento. As libélulas possuem corpos mais robustos e mantêm as asas abertas durante o repouso. Já as donzelinhas são mais finas e dobram as asas para trás, junto ao corpo, quando descansam. "As coletas ocorreram entre outubro e novembro de 2024, em 11 pontos da reserva. Como o trabalho surgiu a partir de uma disciplina de campo, tivemos um período relativamente curto para as amostragens. Por isso, o estudo é considerado preliminar. A expectativa é que novas coletas ao longo das diferentes estações do ano revelem ainda mais espécies, já que muitas libélulas possuem ciclos sazonais, ou seja, diferentes espécies podem ser encontradas em diferentes épocas do ano", relata Aline Gonçalves. Algumas das espécies encontradas pelos pesquisadores Divulgação / pesquisadores Novos registros em São Paulo O estudo revelou um dado interessante: três espécies já conhecidas pela ciência nunca haviam sido registradas em São Paulo. Esses novos registros de ocorrência no estado pertencem às espécies Heteragrion tiradentense, Brechmorhoga goncalvensis e Rhionaeschna planaltica. A descoberta em uma região relativamente bem estudada demonstra a existência de lacunas importantes de conhecimento. O cenário sugere que a Serra do Japi pode abrigar outras espécies ainda não registradas no estado, além de possíveis organismos pouco conhecidos de outros grupos biológicos. Bioindicadores e conservação Ao todo, apesar do período curto de amostragem, os pesquisadores registraram 22 espécies de libélulas e donzelinhas. Entre elas, os biólogos encontraram espécies raras e duas consideradas quase ameaçadas de extinção: a Heteragrion tiradentense e a Brechmorhoga goncalvensis. O achado reforça a importância da Serra do Japi como um refúgio para espécies sensíveis e de distribuição restrita. Áreas de estudo na Serra do Japi (SP) Divulgação / pesquisadores Esse levantamento fornece uma base científica essencial para a compreensão da biodiversidade da reserva. As libélulas funcionam como excelentes bioindicadoras da qualidade ambiental, especialmente em ambientes aquáticos. Dessa forma, conhecer as espécies que habitam a área ajuda a orientar as ações de conservação, o monitoramento e o manejo da unidade de proteção. O resultado evidencia o papel da Serra do Japi como um dos mais importantes remanescentes de Mata Atlântica do interior paulista e destaca a importância de manter áreas protegidas para conservar a biodiversidade. "Este estudo é apenas um primeiro passo.As curvas de amostragem indicaram que novas espécies provavelmente poderão ser registradas com coletas adicionais. Os próximos passos incluem ampliar as amostragens ao longo de diferentes épocas do ano e explorar outras áreas e gradientes altitudinais da reserva para podermos obter um panorama mais completo da fauna local", conclui Aline Gonçalves. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

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