Presidente de empresa de ônibus suspeita de lavar dinheiro do PCC tinha relação com operador ligado ao esquema de Deolane e Marcola
Caixa com dinheiro apreendida pelos policiais com o nome de Deolane na casa do Everton de Souza,. Reprodução A investigação que resultou na Operação Últi...
Caixa com dinheiro apreendida pelos policiais com o nome de Deolane na casa do Everton de Souza,. Reprodução A investigação que resultou na Operação Última Parada, deflagrada nesta quinta-feira (25), identificou que suspeitos ligados ao esquema de lavagem de dinheiro do PCC na empresa de ônibus Transunião mantinham relação com Everton de Souza, o "Player", apontado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP) como operador financeiro da facção. Ele foi preso no mês passado na mesma ação que levou à prisão da influenciadora Deolane Bezerra e atingiu Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe máximo da organização criminosa, além de familiares dele. De acordo com a investigação, o vínculo material entre Player e a Transunião ficou comprovado pela transferência de um carro de luxo para o nome do atual presidente da companhia, Lourival de França Monário, conhecido como "Orelha" – um dos alvos da operação. A conexão entre os dois inquéritos reforça que Everton tinha papel central no núcleo financeiro do PCC. Na denúncia oferecida pelo MP no caso da Operação Vérnix, ele é descrito como o homem responsável por supervisionar prestações de contas e o fluxo de valores de uma estrutura usada para ocultar e reinserir dinheiro do crime organizado na economia formal por meio de uma transportadora em Presidente Venceslau, no interior paulista. Na avaliação dos investigadores, a prisão de Everton reforça "indícios de que a estrutura empresarial relacionada à Transunião Transportes S.A. possa estar sendo instrumentalizada para circulação, ocultação e integração de ativos ilícitos", diz trecho do inquérito policial. Operação Última Parada A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagraram na manhã desta quinta-feira (25) a Operação Última Parada, contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público. Os agentes cumprem cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão. Os três presos são o vereador da capital Senival Moura, do PT, Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"), motorista e homem de confiança do vereador. Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas. Os mandados estão sendo cumpridos em endereços da cidade de São Paulo, da região metropolitana e do município de Extrema (MG). A ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP. Veja quem são os alvos dos demais mandados de prisão: Lourival Monário ("Orelha"): atual presidente, acusado de ser nomeado pelo PCC para garantir o escoamento de recursos ilícitos. Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"): supervisor operacional que atuava como o interlocutor direto do PCC dentro da empresa, transmitindo ordens da facção. De acordo com dados do SPUrbanuss, o sindicato das empresas de ônibus da capital, a Transunião opera 51 linhas de ônibus e transporta 389 mil passageiros por dia, atuando principalmente na Zona Leste da capital paulista. Para cortar a influência dos investigados, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os atuais diretores e administradores da Transunião. Como o transporte de passageiros é um serviço essencial e não pode parar, a SPTrans foi notificada. Agora, o município precisa garantir que a frota continue rodando, seja decretando uma intervenção direta na empresa ou repassando as linhas da Transunião para outras viações da cidade.