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Novo organograma feito pela Polícia Civil revela estrutura empresarial do PCC, com setores de 'compliance' e rede social

PCC é mapeado em 28 países e expande tráfico de drogas e armas Um novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), feito pela Polícia Civil de São Pa...

Novo organograma feito pela Polícia Civil revela estrutura empresarial do PCC, com setores de 'compliance' e rede social
Novo organograma feito pela Polícia Civil revela estrutura empresarial do PCC, com setores de 'compliance' e rede social (Foto: Reprodução)

PCC é mapeado em 28 países e expande tráfico de drogas e armas Um novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), feito pela Polícia Civil de São Paulo, redesenha a estrutura da facção e aponta a existência de quatro setores inéditos dentro da organização criminosa. São eles: um núcleo de associados, outro comparado a compliance, um que cuida de redes sociais e outro responsável pelos jurados de morte. O documento lista 100 nomes distribuídos em 16 setores, sendo 89 membros batizados com poder de voto e seis associados ligados a frentes como lavagem de dinheiro. O preso Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, segue no topo da cadeia decisória como chefe do PCC. O que há de novo no mapa da facção O material de inteligência acrescenta quatro frentes à arquitetura do PCC, que cada vez mais passa a agir como se fosse uma empresa voltada ao crime: 1) Associados: executivos do crime que não são “batizados”, mas tocam negócios para a facção, especialmente finanças e lavagem. Entre eles estão: Mohamad Hussein Mourad, o Primo _ foragido da Justiça por corrupção envolvendo postos de combustíveis _ e Mauricio Hernandez Norambuena _guerrilheiro preso no Chile e um dos sequestradores do publicitário Washington Olivetto em 2001. 2) Setor do Raio-X: atua como uma espécie de compliance, corregedoria e auditoria, monitora conduta, movimentações e cumprimento de ordens. Está sob o comando do preso Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado. 3) Sintonia da Internet e Redes Sociais: coordena comunicações digitais, padroniza linguagem ideológica, monitora publicações e dá suporte técnico. Ideia é garantir segurança e discrição nas trocas de mensagens entre membros por aplicativos, redes sociais e e-mails criptografados. Comandada por André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos presos. 4) Decretados: ex-líderes expulsos, atualmente sob ameaça de morte da própria facção. O relatório cita, entre outros, os presos Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, que foi número dois do PCC e rompeu com Marcola, e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, acusado de participar da morte do prefeito de Campinas, Toninho do PT em 2001. Novo organograma do PCC feito pela Polícia Civil de SP g1 Design Organograma do MP cita 40 mil membros PCC se infiltra em presídios e é mapeado em 28 países A informação sobre o novo organograma do Primeiro Comando da Capital foi revelada pelo SBT, e confirmada pela GloboNews e g1, que tiveram acesso ao documento da Divisão de Inteligência da Polícia (DIP) do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol). O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também tem o seu organograma da facção, mas com a indicação de ao menos 40 mil membros. Para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o PCC já é considerado uma máfia. Tanto a polícia quanto o MP monitoram a atuação da facção em 28 países, além do Brasil, onde a organização expandiu tanto sua logística de drogas, e se infiltrou na economia formal, atuando com lavagem de dinheiro em postos de combustíveis e fundos de investimento. 12 setores já conhecidos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, em foto de 2014 Arquivo/TV Fronteira Segundo o mapeamento feito pela inteligência da Polícia Civil, a facção opera com 16 setores, 12 deles mais atuantes, chamados "sintonias". Seguem abaixo outras 12 estruturas do PCC que já eram conhecidas das autoridades: 1) Sintonia Final - Comando geral do PCC, responsável por todas as decisões estratégicas da facção, definindo prioridades e coordenando ações no Brasil e no exterior. As demais sintonias apenas executam o que ela determina. Nela aparecem 11 nomes, incluindo o de Marcola. 2) Sintonia Final do Sistema - Executa, dentro dos presídios, as decisões da liderança. Garante disciplina, hierarquia e cumprimento de ordens no sistema prisional. Define prioridades de atuação na expansão de território, tráfico e respostas a ameaças. 3) Sintonia Restrita - Núcleo mais fechado e de confiança extrema da cúpula. Trata dos assuntos mais sensíveis, confidenciais e estratégicos, funcionando como braço direto da Sintonia Final. 4) Sintonia Final dos Estados e Países - Coordena a atuação do PCC fora de São Paulo, tanto em outros estados quanto no exterior. Faz a ponte entre a liderança e as estruturas regionais ou internacionais. 5) Sintonia do Progresso - Focada em crescimento e expansão. Cuida do desenvolvimento das operações, logística, finanças e frentes de lucro, funcionando como um “motor de desenvolvimento” da facção. 6) Sintonia Final de Rua - Controla as operações nas ruas — bairros e territórios sob domínio da facção. Supervisiona líderes locais, disciplina e ações táticas do dia a dia. 7) Sintonia Interna - Responsável pelo comando operacional nos presídios e em territórios controlados. Mantém regras, disciplina e execução das ordens da liderança. 8) Setor da Padaria - Área financeira e logística da facção. Organiza a movimentação e arrecadação de recursos obtidos por contribuições internas e atividades ilegais. 9) Sintonia Final da Baixada - Coordena as operações na Baixada Santista, incluindo controle de biqueiras, logística local e disciplina regional. 10) FM-BX (Família da Baixada) - Base operacional das biqueiras da Baixada Santista. É a linha de frente do varejo de drogas na região. 11) Sintonia dos Gravatas - Usa advogados para defesa jurídica e também para transmitir ordens, mensagens e informações estratégicas entre presos e integrantes em liberdade. 12) Sintonia ou Quadro dos 14 - Instância de elite logo abaixo da cúpula. Decide questões estratégicas e disciplinares, funcionando para fiscalizar e julgar condutas, especialmente nas ruas. Presos fazem rebelião na Penitenciária de Junqueirópolis, em São Paulo, em 14 de maio de 2006. O motim começou às 7 da manhã, quando familiares entravam para a visita. Os rebelados subiram no telhado e prenderam faixas na caixa d´água com os dizeres: 'PCC, paz, justiça e liberdade' e 'Contra a Opressão' Alex Silva/Estadão Conteúdo/Arquivo Embora exista uma divisão formal de funções, cada núcleo atua de maneira isolada. Integrantes de uma sintonia não têm acesso completo às estratégias e operações das demais, o que ajuda a minimizar riscos e a garantir a proteção da estrutura da facção. A atualização do mapa estrutural do PCC também evidencia a divisão entre faccionados com batismo formal e os chamados associados, indivíduos que, embora não integrantes orgânicos, prestam serviços estratégicos em áreas como tecnologia, logística, finanças e lavagem de dinheiro. Nos últimos anos, o Ministério Público de São Paulo tem defendido que denunciados não precisam necessariamente de batismo ou integrarem algum setor do PCC para estarem vinculados à atuação da facção, o que classificam como "relações de negócios horizontais" que asseguram a influência e o controle da organização. A equipe de reportagem não conseguiu localizar as defesas dos presos, procurados e investigados citados acima para comentarem o assunto. Sofisticação na estrutura Esquema de controle de fundos e fintechs da Faria Lima controlados pelo PCC, segundo a Receita Federal. Reprodução/Receita Federal A síntese apresentada pelo Dipol reforça o grau de sofisticação administrativa alcançado pelo PCC: estruturas funcionais segmentadas, auditorias próprias, comunicação padronizada, divisão regional e internacional e presença de quadros não batizados que atuam como operadores técnicos e financeiros. Segundo membros do MP, alguns nomes e setores indicados pelo Dipol não foram interceptados em apurações e monitoramentos feito ao longo das últimas décadas pelo Gaeco. Os dois mapeamentos, da Polícia Civil e do Ministério Público, detalham novas mudanças desde a reestruturação do PCC, em 2019, quando lideranças foram transferidas para presídios federais por determinação da Justiça. E parte dos integrantes da cúpula foi expulsa pela própria facção. Agora, com novas engrenagens internas — especialmente o setor digital e o setor de auditoria — a Polícia Civil e o MP tratam que o PCC se aproxima cada vez mais de um modelo empresarial e mafioso, combinando disciplina interna, expansão transnacional e alta compartimentalização das operações criminosas. Os documentos da Polícia Civil indicam que houve um salto expressivo nas finanças da facção: o que antes movimentava valores na casa das centenas de milhares de reais passou a girar em dezenas de bilhões. Esse volume de dinheiro viabiliza um padrão de vida luxuoso para a alta liderança, com mansões, iates, helicópteros e joias, sustentados sobretudo pelo tráfico internacional de cocaína direcionado à Europa e operado por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro.

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