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Mulheres milionárias se reúnem em evento na Faria Lima para discutir a 'solidão do topo'

Valeria Rodriguez Codina, chefe da WPO na América Ibérica e Latina, Luciana Giudice Barrella, chefe da WPO em São Paulo, e a chefe global da organização, A...

Mulheres milionárias se reúnem em evento na Faria Lima para discutir a 'solidão do topo'
Mulheres milionárias se reúnem em evento na Faria Lima para discutir a 'solidão do topo' (Foto: Reprodução)

Valeria Rodriguez Codina, chefe da WPO na América Ibérica e Latina, Luciana Giudice Barrella, chefe da WPO em São Paulo, e a chefe global da organização, Anni Wilhelmi. Camila Cordeiro Em um auditório envidraçado na Faria Lima, na Zona Oeste de São Paulo, mulheres que comandam empresas milionárias passaram a manhã do dia 14 de maio discutindo um tema pouco associado ao mundo corporativo: a solidão de quem ocupa o topo das decisões empresariais. O encontro marcou o lançamento da primeira sede brasileira da Women Presidents Organization (WPO), ou Organização de Mulheres Presidentes, em português, destinada a mulheres donas ou acionistas de empresas com faturamento acima de R$ 5 milhões (leia mais abaixo). Apesar de a ideia remeter a ambientes reservados e luxuosos, algo parecido com reality shows sobre mulheres milionárias, o evento foi mais corporativo do que glamouroso. A reunião aconteceu em um prédio preto e espelhado. Na recepção, foi preciso esperar cerca de 15 minutos até que o QR Code finalmente liberasse a entrada no elevador. Mulheres milionárias se reúnem em evento na Faria Lima para discutir a 'solidão do topo' No 11º andar, uma mulher jovem recebia as convidadas e apontava discretamente para o auditório onde o café da manhã já estava montado: sanduíches de pesto com tomate e uma espécie de fricassê de frango, além de frutas com granola, suco de laranja e café. As participantes eram recebidas por Luciana Giudice Barrella, responsável pelo núcleo paulista da organização. Entre uma conversa e outra, ela parecia tentar equilibrar duas pressões ao mesmo tempo: convencer as empresárias presentes de que aquele espaço poderia ajudá-las e mostrar às lideranças internacionais da organização, Valeria Rodriguez Codina, chefe da WPO na América Ibérica e Latina, e Anni Wilhelmi, presidente global da entidade, que o modelo tinha potencial para crescer no Brasil. Donas de empresas A organização reúne mulheres donas ou acionistas de empresas com faturamento acima de US$ 1 milhão — cerca de R$ 5 milhões — e promete criar um espaço confidencial para discutir aquilo que normalmente não aparece nos posts motivacionais do LinkedIn. Quando a empresa dela começa a crescer e atingir uma certa maturidade, ela vai começar a ter questões em que vai se sentir sozinha na tomada de decisão. A pressão aumenta Ao redor das mesas do café da manhã, o tema aparecia em diferentes versões. A empresária que evita demonstrar insegurança para a equipe, a CEO que não consegue discutir certas decisões em casa, a dona da empresa que até tem amigas próximas, mas não alguém que entenda o que significa demitir funcionários, renegociar contratos milionários ou atravessar uma crise financeira. Muitas vezes a empresária tem uma super amiga ou um grupo de amigas, mas ela tem questões que não fazem sentido trocar com elas, porque são questões de negócios, de experiências, de decisões estratégicas Segundo ela, é justamente nesse momento que surge o que a organização chama de “isolamento do topo”. “Ela pensa: ‘Com quem eu vou contar para tomar essa decisão? Quem vai me ajudar nessa tomada de decisão? Empresárias nessa faixa de faturamento têm questões que precisam discutir. A solidão do topo começa a aparecer muito mais nesse estágio”, afirmou. Luciana discursou para 30 pessoas presentes noauditório — apenas três homens: um jornalista, um técnico de som e um assessor de imprensa. Até a última quinta, dia do lançamento, o capítulo paulistano — que é como a organização chama os núcleos divididos em 145 cidades pelo mundo — contava com cinco integrantes, de áreas como engenharia, sustentabilidade, energia e comunicação. A previsão é a de que as reuniões comecem oficialmente em junho, quando o grupo atingir o número de dez participantes. A meta é chegar a 15 empresárias até o fim do ano. Rede de apoio A proposta da organização é justamente reunir mulheres que vivem problemas parecidos. Mas sem concorrentes na mesma sala e sob acordo de confidencialidade. Uma vez por mês, elas se encontram por algumas horas para discutir os dilemas da liderança. Segundo Luciana, os encontros seguem uma metodologia internacional e duram entre três e quatro horas. “É muito diferente de você sair para jantar com as amigas, de você participar de um evento de networking. Não é sobre networking, é sobre essa troca estratégica entre pares.” Na prática, o grupo funciona quase como uma mistura de conselho empresarial com grupo de apoio executivo. Cada empresária leva para a mesa uma dificuldade concreta da empresa — ou da própria vida. “As temáticas são as mais diversas. Pode ser um desafio da empresa que esteja impactando também a vida pessoal, outros tipos de relação. O que é proporcionado ali é um ambiente seguro”, disse. Luciana discursou para 30 pessoas presentes auditório — apenas três homens: um jornalista, um técnico de som e um assessor de imprensa. João de Mari/g1 Empreendedorismo O corte milionário de faturamento para participar do grupo posiciona as integrantes em um estágio já consolidado do empreendedorismo brasileiro. Embora o valor esteja distante das grandes corporações bilionárias da Faria Lima, ele representa um patamar acima da maioria das pequenas empresas do país e costuma envolver equipes maiores, expansão do negócio e decisões estratégicas mais complexas. No Brasil, a maioria das empresas é de pequeno porte e fatura muito abaixo disso. Segundo critérios do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões ainda são consideradas pequenas empresas no Simples Nacional. Segundo a organização, o Brasil foi tratado como prioridade na América Latina pelo crescimento do empreendedorismo feminino. Dados do Sebrae apontam que o país chegou a 10,4 milhões de mulheres donas de negócios. “Existe uma psicologia que mostra que precisamos de referências. Se a gente só tem referências masculinas, ou de homens brancos, isso vira a imagem do sucesso", diz Luciana. Participaram do encontro Valeria Rodriguez Codina, chefe da WPO na América Ibérica e Latina, e a chefe global da organização, Anni Wilhelmi. Ao final da apresentação, Valeria resumiu o sentimento do encontro. “Não tem que esconder dificuldades, mas compartilhá-las”, disse.

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