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Justiça suspende projeto de aterro sanitário por riscos ambientais no litoral de SP

Justiça proibiu empresa de realizar intervenções em uma área de mineração em São Vicente, SP. Reprodução/PGV a A Justiça de São Vicente, no litoral d...

Justiça suspende projeto de aterro sanitário por riscos ambientais no litoral de SP
Justiça suspende projeto de aterro sanitário por riscos ambientais no litoral de SP (Foto: Reprodução)

Justiça proibiu empresa de realizar intervenções em uma área de mineração em São Vicente, SP. Reprodução/PGV a A Justiça de São Vicente, no litoral de São Paulo, suspendeu o licenciamento ambiental de um aterro sanitário previsto para uma cava de mineração no bairro Samaritá. A decisão apontou dúvidas sobre a regularidade do processo conduzido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a situação jurídica do terreno e o risco de contaminação. Em setembro, houve a emissão de uma licença ambiental prévia pela Cetesb. A empresa, no entanto, ainda precisava de autorização para iniciar as atividades no local. A decisão, publicada na segunda-feira (19), restabeleceu a suspensão do processo de licenciamento. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. O juiz Leonardo de Mello Gonçalves suspendeu os efeitos da licença prévia e determinou que o licenciamento permaneça paralisado até a conclusão de uma perícia judicial na área do empreendimento. A decisão ressalta ainda que a licença prévia deixou 44 exigências consideradas essenciais para a fase de licença de instalação. Segundo o documento, a aprovação ocorreu em menos de cinco minutos e contou com a participação de seis servidores da Cetesb. Gonçalves classificou o fato como “grave”, diante da complexidade e dos impactos ambientais do empreendimento. Ele também apontou que são necessários estudos sobre contaminação da área, evolução do nível da água na cava, o risco de inundação e a estabilidade geotécnica do terreno. Com isso, a PGV Terraplanagem e Gerenciamento de Resíduos está proibida de realizar obras ou outras intervenções na área destinada ao empreendimento. A empresa também não pode receber, armazenar ou aterrar resíduos na cava. Agora no g1 O descumprimento das determinações pode gerar multa de R$ 50 mil por obrigação descumprida ou por carga irregular, além da possibilidade de interdição e lacração do estabelecimento e de investigação por crime de desobediência. A perícia deverá investigar possíveis contaminações do solo e da água, avaliar a capacidade do empreendimento e verificar se os estudos ambientais apresentados são suficientes. Esses pontos foram questionados pelo Ministério Público (MP). Segundo o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), o licenciamento foi baseado apenas em um Relatório Ambiental Preliminar (RAP), em vez de um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), exigidos para empreendimentos com maior potencial de impacto ambiental. Outro questionamento envolve o terreno. A PGV e a Cetesb reconheceram no processo que a empresa não tem título de propriedade da área. Para o juiz, ter direito de explorar areia não significa, por si só, ter autorização para instalar um aterro sanitário no local. O magistrado também destacou que, segundo documentos da Agência Nacional de Mineração (ANM), a mina continua em operação e o Plano de Fechamento de Mina ainda não foi aprovado pela agência, tampouco a instalação do aterro. Além disso, há investigações sobre o possível descarte irregular de lama bentonítica e outros resíduos na área. Para o juiz, a vistoria apresentada pela empresa, realizada em apenas um dia, não é suficiente para descartar a possibilidade de contaminação. Projeto do aterro Projeto do aterro sanitário em São Vicente, SP. Reprodução/PGV A ação foi apresentada após a abertura de um inquérito para investigar a regularidade da autorização da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) São Vicente. O projeto prevê o recebimento diário de 400 toneladas de resíduos sólidos urbanos, 1.000 toneladas de resíduos da construção civil e 20 toneladas de resíduos orgânicos para compostagem. A previsão é que o aterro tenha vida útil de quase 24 anos. O que dizem os envolvidos? Procurada pelo g1, a Prefeitura de São Vicente disse, em nota, que o licenciamento ambiental do empreendimento é de competência exclusiva da Cetesb, por se tratar de uma atividade classificada como de alto impacto ambiental. “O Município esclarece ainda que não foi notificado nem consultado pelo órgão estadual sobre a concessão de autorizações ou licenças para a instalação do empreendimento na região”, disse. Também em nota, a PGV disse que respeita as decisões judiciais, mas discorda dos fundamentos da decisão recente e adotará as medidas judiciais cabíveis para sua revisão. "A empresa reafirma seu compromisso com a legislação ambiental e prestará os esclarecimentos necessários no âmbito do processo judicial", disse. Em nota, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que até o momento não foi intimada da referida decisão e que tão logo seja, se manifestará nos autos do processo. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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