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Importância do interior de SP no desenvolvimento da indústria do tomate é lembrada em livro de especialista da USP

Importância do interior de SP no desenvolvimento da indústria do tomate está em livro Jundiaí (SP) teve papel decisivo na consolidação da indústria de to...

Importância do interior de SP no desenvolvimento da indústria do tomate é lembrada em livro de especialista da USP
Importância do interior de SP no desenvolvimento da indústria do tomate é lembrada em livro de especialista da USP (Foto: Reprodução)

Importância do interior de SP no desenvolvimento da indústria do tomate está em livro Jundiaí (SP) teve papel decisivo na consolidação da indústria de tomate no Brasil, segundo o livro História da Agroindústria do Tomate no Brasil: do Agreste Pernambucano ao Cerrado Goiano. A obra, escrita pelo pesquisador Paulo César Tavares de Melo — mestre e doutor com mais de cinco décadas dedicadas ao estudo do tomate industrial — também destaca cidades como Mairinque, Piedade, Presidente Prudente e Araçatuba na produção do fruto. O livro reconstrói a trajetória do setor desde o início da industrialização, em 1890, até os dias atuais, passando pelo Agreste pernambucano e chegando ao Cerrado goiano. Nesse percurso, municípios das regiões de Jundiaí e Sorocaba aparecem como protagonistas em diferentes momentos da história. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Segundo o autor, a instalação da fábrica que deu origem à Cica (Companhia Industrial de Conservas Alimentícias), em 1941, não foi acaso. Jundiaí era, naquela época, um entroncamento ferroviário estratégico, o que facilitava o escoamento da produção para o interior, o litoral e a capital paulista. Interior de São Paulo teve papel vital no desenvolvimento da indústria do tomate no Brasil Reprodução/TV TEM A empresa nasceu da união de famílias de origem italiana, entre elas Salvador Messina, a família Rapa e o banqueiro Bonfiglioli, ligadas ao comércio de secos e molhados em São Paulo. Anos depois, outra família da região, os Pauletti, que já produzia conservas de azeitona, criou a marca Etti, que se tornaria a segunda maior indústria de tomate do país. "Jundiaí teve um papel fundamental nesse processo de industrialização do tomate no Brasil. A fábrica começou a funcionar em 1941 porque, naquela época, a cidade era um entroncamento das principais vias férreas, tanto para o interior quanto para o litoral e para a capital", afirmou o pesquisador. Herança japonesa no tomate Outro capítulo da obra é dedicado à chegada dos imigrantes japoneses, a partir de 1908, aos chamados subúrbios rurais de São Paulo, com destaque para Mairinque e Cotia. Vindos inicialmente para a lavoura de café, eles migraram para a produção de hortaliças e, na sequência, para o tomate. Foi esse grupo de produtores que, sem apoio de programas oficiais de melhoramento, selecionou na década de 1940 o tomate Santa Cruz, variedade que se tornaria referência no país. A partir daí, a produção se espalhou para Piedade, na região de Sorocaba, Indaiatuba e outros municípios do entorno de Campinas. "Os japoneses vieram se estabelecer nos subúrbios rurais de São Paulo, principalmente na região de Mairinque e de Cotia. Com mão de obra familiar, perceberam que aquilo seria uma grande oportunidade e expandiram a produção de tomate por regiões como Piedade e Sorocaba", disse Tavares de Melo. Expansão para o Noroeste Paulista Interior de São Paulo teve papel vital no desenvolvimento da indústria do tomate no Brasil Reprodução/TV TEM O livro também mapeia a virada do setor para o Noroeste Paulista, a partir do fim da década de 1970. A região de Monte Alto e Taquaritinga, até então principal polo produtor, perdeu espaço para novas áreas com terras mais baratas e clima favorável. Foi nesse contexto que a Cica instalou uma fábrica em Presidente Prudente e a Etti ergueu em Araçatuba o que, segundo o autor, era a maior fábrica de tomate da América Latina na época. A fartura de pastagens na região permitiu a conversão de áreas para o cultivo em larga escala. "A Etti instalou em Araçatuba a maior fábrica de tomate da América Latina daquela época. A Cica, por sua vez, instalou uma fábrica em Presidente Prudente. Ali havia terras mais baratas e farta pastagem que pôde ser convertida em campos de tomate", relatou o pesquisador. De Monte Alto ao Cerrado: uma cultura 'nômade' De acordo com o livro, o tomate industrial se comportou como uma cultura nômade dentro do estado de São Paulo. Conflitos recorrentes entre indústria e produtores por causa do preço da matéria-prima, somados à baixa produtividade do tomate Santa Cruz, empurraram o cultivo para novas fronteiras, culminando na virada para o Cerrado goiano no início dos anos 1980. A diferença de produtividade entre as variedades antigas e as atuais, segundo o autor, ajuda a explicar essa migração. Em entrevista ao g1, o professor destacou o salto tecnológico do setor nas últimas décadas. "Naquela época se falava de 25 a 35 toneladas por hectare. Hoje, com os híbridos plantados no Cerrado, estamos falando de 100 a 120 toneladas por hectare", disse Tavares de Melo em entrevista ao g1. Sinônimo de extrato de tomate Um dos capítulos mais curiosos da obra trata do mascote Jotalhão, criado por Maurício de Sousa ainda nas décadas de 1940 e 1950 para a Cica. O personagem fez tanto sucesso que consumidores passavam a pedir "extrato elefante" nos mercados em vez de citar a marca Cica. Após a falência do Banco Auxiliar, que financiava a Cica, a empresa passou por um grupo italiano até chegar à Unilever, que depois vendeu a operação à Cargill, hoje a maior processadora de tomate do Brasil. Junto com a fábrica, a Cargill adquiriu os direitos sobre o Jotalhão, hoje usado em linhas de extrato de tomate puro, além da marca de molhos Pomarola, também originada da Cica. Outras mudanças A obra também acompanha o desdobramento das famílias fundadoras da indústria de tomate de Jundiaí. Ligada à família Pauletti, a empresa Qualimax, também sediada na cidade, criou a marca Quero, posteriormente adquirida pela Heinz. A companhia americana teve, mais tarde, seu controle global ligado ao fundo 3G Capital, de investidores brasileiros, em parceria com o investidor Warren Buffett. Já a Etti foi vendida ao grupo paulista Fenícia e, depois, à Arisco. Hoje, segundo o livro, a maior indústria genuinamente brasileira do setor é a Predilecta, de Matão (SP), que reúne marcas como Salsaretti, Estrela D'Oro e Minas Mais, esta última herdada de uma antiga unidade da Cica em Patos de Minas (MG). Fachada da Cica em Jundiai (SP) Maurício Ferreira / Sebo Jundiaí O tomate hoje: do Cerrado goiano à importação Segundo dados citados no livro, o Cerrado goiano é hoje a maior área de produção de tomate industrial da América Latina, ao sul do México, com cerca de 18 mil a 20 mil hectares cultivados por ano e produtividade média de 120 a 130 toneladas por hectare, usando 100% de sementes híbridas. A produção nacional gira em torno de 1,2 milhão a 1,3 milhão de toneladas anuais, mas o Brasil ainda precisa importar tomate para atender à demanda interna. Relevância econômica da cultura, segundo o pesquisador: Tomate e batata são as duas hortaliças mais importantes do PIB agrícola brasileiro O tomate se sobressai por envolver dois mercados complementares, o de mesa e o industrial A cultura segue como referência em geração de emprego e renda nas regiões produtoras "O tomate, junto com a batata, é um dos itens mais importantes da produção de hortaliças dentro do PIB da agricultura brasileira. Ele acaba sendo mais relevante até do que culturas importantes como feijão e banana, porque envolve dois segmentos: o de mesa e o industrial", afirmou o pesquisador. 50 anos dedicados ao tomate Livro de pesquisador da USP destaca interior de São Paulo com papel vital no desenvolvimento da indústria do tomate no Brasil USP/Esalq/Divulgação Autor da obra, Paulo César Tavares de Melo é mestre e doutor e soma mais de 50 anos de trabalho dedicados ao tomate industrial. Ele foi do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em Brasília, é docente do Departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), e membro titular da Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA). Sua trajetória com a cultura começou em 1972, como estagiário em uma estação experimental do Instituto de Pesquisas Agronômicas de Pernambuco. Mais tarde, cursou doutorado no Departamento de Genética da Esalq, atuou por 15 anos como geneticista e melhorista em uma empresa americana na Califórnia e foi representante brasileiro no Conselho Mundial de Tomate Industrial, com sede em Avignon, na França, o que o levou a conhecer regiões produtoras em diversos países. "Considero o ano zero do meu trabalho com o tomate industrial em 1972, quando conheci o professor Edward Tigchelaar, da Universidade de Purdue, que testava 113 variedades de tomate industrial que entravam no Brasil pela primeira vez", contou Tavares de Melo. Um livro que 'nasceu' de outro livro Segundo o autor, o livro sobre a agroindústria do tomate surgiu como um desdobramento de um projeto maior, iniciado durante a pandemia, quando se aposentou. O material original, de cerca de 500 páginas, reuniu tantas histórias que a esposa do pesquisador, também pesquisadora do Instituto Agronômico, sugeriu que fosse dividido em duas publicações. Os dois livros, "História das Hortaliças no Brasil, do Descobrimento aos Tempos Atuais" e "História da Agroindústria do Tomate no Brasil: do Agreste Pernambucano ao Cerrado Goiano", foram lançados no Congresso Brasileiro de Olericultura, realizado na Universidade de Brasília (UNB). imagem retrata prédio da Cica, em Jundiaí (SP) Maurício Ferreira / Sebo Jundiaí Prédio da Cica, em Jundiaí Maurício Ferreira / Sebo Jundiaí Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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