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Dos sons da mata para o bastidor: pesquisadora transforma aves brasileiras em bordados científicos

Pesquisadora transforma aves brasileiras em bordados científicos Ana Luiza Catalano A bioacústica ensinou Ana Luiza Catalano a ouvir as aves. O bordado, anos ...

Dos sons da mata para o bastidor: pesquisadora transforma aves brasileiras em bordados científicos
Dos sons da mata para o bastidor: pesquisadora transforma aves brasileiras em bordados científicos (Foto: Reprodução)

Pesquisadora transforma aves brasileiras em bordados científicos Ana Luiza Catalano A bioacústica ensinou Ana Luiza Catalano a ouvir as aves. O bordado, anos depois, deu forma e cor aos sons que ela passou a conhecer tão bem. Entre linhas, agulhas e referências científicas, a pesquisadora encontrou uma maneira delicada de unir ciência e arte para representar a avifauna brasileira. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Durante a pandemia, quando o trabalho de campo precisou ser interrompido, Ana viu a rotina de gravações nas matas dar lugar ao silêncio dentro de casa. Foi nesse período que um curso online de bordado mudou completamente sua trajetória. O que começou como passatempo rapidamente se transformou em projeto artístico e científico. “Depois que aprendi a gravar aves, não tive mais vontade do registro visual por fotografia. Quando comecei a bordá-las, percebi que aquela seria a minha forma de representá-las visualmente”, conta. Pesquisadora da área de bioacústica desde 2012, Ana trabalha com a gravação e interpretação dos sons das aves. Pesquisadora da área de bioacústica desde 2012, Ana trabalha com a gravação e interpretação dos sons das aves Ana Luiza Catalano VIU ISSO? Maior área protegida de Caatinga do RN é criada para salvar aves ameaçadas de extinção Terra da Gente percorre antigas formações geológicas em busca de espécie rara Primata ameaçado sofre com 'efeito de aglomeração' e risco silencioso de extinção Essa relação com o universo sonoro também aparece nos bordados: além das espécies, ela reproduz espectrogramas e oscilogramas das vocalizações — gráficos utilizados para visualizar os sons registrados em pesquisas científicas. O projeto “Bordando Espécies”, criado em 2020, nasceu justamente dessa necessidade de continuar conectada às aves em um momento de isolamento social. Aos poucos, as encomendas feitas por amigos ornitólogos e observadores de aves ajudaram a impulsionar a produção das peças. “Foi uma forma de continuar trabalhando com aves usando a arte para falar sobre elas”, relembra. Ana já bordou cerca de 80 espécies brasileiras Ana Luiza Catalano Desde então, Ana já bordou cerca de 80 espécies brasileiras. Entre os projetos atuais está a série dedicada às aves-símbolo dos estados brasileiros. Até agora, oito estados já foram representados, mas a meta é completar toda a coleção. “Quero bordar as aves-símbolo de todos os estados do Brasil”, afirma. Quando a ciência encontra a arte Para definir quais espécies serão transformadas em bordado, Ana leva em conta os projetos que está desenvolvendo no momento. Nos estados que não possuem ave-símbolo oficial, ela recorre ao público das redes sociais para ajudar na escolha. “Faço enquetes no Instagram ou escolho uma espécie que tenha relação com o estado”, explica. Até agora, Ana Luiza Catalano já bordou aves-símbolo de oito estados brasileiros e pretende completar a série com representantes de todo o país Ana Luiza Catalano O processo criativo mistura pesquisa científica, observação cuidadosa e sensibilidade artística. Para construir cada peça, Ana analisa diversas fotografias das espécies em busca de referências fiéis de coloração e morfologia. Em alguns casos, combina diferentes imagens até encontrar a composição ideal. Veja o que está em alta no g1: Vídeos em alta no g1 Ela conta que sempre começa pelo olhar da ave. “Acho que o olho é o centro do bordado. Adoro fazer os brilhos porque as linhas permitem isso de uma forma muito bonita”, explica. Depois vêm o bico e o restante do corpo, em um trabalho minucioso de escolha e combinação de cores. O olhar de pesquisadora influencia diretamente na precisão dos detalhes. Processo criativo mistura pesquisa científica, observação cuidadosa e sensibilidade artística Ana Luiza Catalano “Busco representar as espécies o mais próximas possível da realidade”, diz. “Uma dica é usar fotos sem muita sombra ou incidência de sol para chegar mais perto da coloração real”. Além da técnica, Ana diz que se apaixonou pela forma como as linhas se misturam para criar novas tonalidades. “Acho fascinante como uma cor pode mudar quando misturada com outra linha. E gosto também da possibilidade de desfazer os pontos e tentar novamente”, comenta. Mais do que retratar aves, Ana acredita que o bordado funciona como ponte entre diferentes universos. Ao longo dos últimos anos, percebeu que muitas pessoas interessadas em arte passaram a olhar mais para a natureza e para a observação de aves. Ao mesmo tempo, observadores e pesquisadores começaram a se aproximar do universo artístico. Para construir cada peça, Ana analisa diversas fotografias das espécies em busca de referências fiéis de coloração e morfologia Ana Luiza Catalano “Muitas pessoas que chegaram pelo universo das aves passaram a se interessar por arte. E muitas pessoas das artes começaram a observar aves. Eu acho essa troca extremamente gratificante”, afirma. Para ela, ciência e arte nunca estiveram separadas. Pelo contrário: as linhas coloridas ajudam a despertar curiosidade e criar novas conexões com a biodiversidade brasileira — uma espécie de tradução visual dos sons que ecoam pelas matas. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

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