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Cetesb contradiz prefeitura e nega ter autorizado desassoreamento em rio que causou alagamentos em Guareí

Chuva forte faz rio transbordar e invade casas em Guareí A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou, por meio de nota, que não concedeu n...

Cetesb contradiz prefeitura e nega ter autorizado desassoreamento em rio que causou alagamentos em Guareí
Cetesb contradiz prefeitura e nega ter autorizado desassoreamento em rio que causou alagamentos em Guareí (Foto: Reprodução)

Chuva forte faz rio transbordar e invade casas em Guareí A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou, por meio de nota, que não concedeu nenhum tipo de autorização ou licença ambiental para o desassoreamento do Rio Guareí, que tem causado alagamentos durante períodos de chuva na região central de Guareí (SP). Conforme o comunicado, o órgão também não solicitou a paralisação das obras que estão sendo feitas pela prefeitura no leito do rio. Anteriormente, a gestão municipal havia informado que o desassoreamento estava paralisado devido a uma recomendação feita pela Cetesb após uma denúncia anônima. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp 🔎 O desassoreamento consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito do rio e pode contribuir para melhorar o escoamento da água, dependendo das condições do local. A intervenção no rio estava sendo feita após uma enchente atingir os moradores da Alameda Jair Martins de Siqueira, ainda em dezembro de 2025. Um novo alagamento nas casas aconteceu entre 24 e 25 de outubro, com 100 milímetros de chuva registrados durante o período, volume equivalente à média do mês. Guareí (SP) fica com pontos alagados após chuva forte e cheia em rio Jacutinga Notícias Entre os moradores afetados, está Fernandes Rodrigues. Não é a primeira vez que os alagamentos causam transtornos a ele e à família, visto que, em 2025, grande parte dos móveis da casa onde eles moram foram perdidos. Assista abaixo. "Aconteceu a mesma coisa em dezembro. Moro aqui há 12 anos e nunca tivemos problemas graves, mas, depois que fizeram o loteamento vizinho, eles avançaram muito para a margem do rio. O nosso tem mais de 100 metros de recuo, enquanto o deles tem 30. A água represa e vem para nós", explica. Entre os itens que foram perdidos na segunda enchente, está uma máquina de lavar, que havia sido comprado justamente pela anterior ter sido danificada pela primeira ocasião. Os familiares de Fernandes estão abrigados na casa de parentes, enquanto ele dorme no próprio carro. Cetesb contradiz prefeitura e nega autorizar desassoreamento em rio de Guareí "A prefeitura ofereceu um hotel por apenas uma noite e eu não quis. Minha esposa e meu filho estão na casa da mãe dela, enquanto eu durmo no carro. Da última vez, mesmo com ajuda de vizinhos e amigos, gastei cerca de R$ 30 mil", comenta. "Meu pai chegou a oferecer para eu dormir na casa dele, mas eu fiquei tão irritado com a situação que eu fiquei dormindo no meu carro. Essa situação precisa ser solucionada com o desassoreamento do rio", completa. Os alagamentos estão sendo investigados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela prefeitura. A suspeita é que o recuo de 30 metros do Loteamento Santa Felicidade, localizado no Centro, seja o motivo das enchentes. Versões opostas Alameda Jair Martins de Siqueira, em Guareí (SP), ficou alagada Arquivo Pessoal Em nota enviada no dia 27 de outubro, a Prefeitura de Guareí informou que havia iniciado o desassoreamento do rio sob autorização da Cetesb. Mas, a obra havia sido interrompida por uma suposta ordem do órgão depois de uma denúncia anônima. Junto à paralisação, a gestão ainda disse que busca contratar estudos técnicos para definir medidas preventivas e não havia uma conclusão definitiva do que estaria causando o problema. Entretanto, nos autos do processo protocolado no Ministério Público, ao qual o g1 teve acesso, é descrito que o procedimento estava sendo realizado diretamente pela empresa responsável pelo loteamento. O prefeito de Guareí, Reinaldo Vicente (PSB), afirmou via ofício que a prefeitura planejava formalizar o pedido à Cetesb ainda em fevereiro, para que a escavação fosse feita pelos empreendedores por conta própria, o que não foi feito. Problemas apontados anteriormente Represa Balneário Municipal José Bonifácio Vianna, a prainha de Guareí, também transbordou por causa das chuvas de domingo (25) Ricardo Kern/TV TEM Os problemas envolvendo o Loteamento Santa Felicidade já haviam sido apontados anteriormente. Conforme um dos relatórios de fiscalização do loteamento feito pela prefeitura, ainda em janeiro deste ano, foi constatada a construção de um aterro de três metros, sem muro de arrimo. Além disso, a gestão apontou que não houve Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), que apontaria possíveis problemas antes do empreendimento ser finalizado. Confira a lista completa: Falta de EIV; Falta de Estudo de Impacto Ambiental (EIA); Falta de relatório de macrodrenagem; Falta de plano de controle de enchentes; Falta de levantamento topográfico; Falta de parecer da Defesa Civil; Falta de parecer da Secretaria de Meio Ambiente, devido à ausência de equipe habilitada na época. Uma nova fiscalização feita pela prefeitura, em maio, reiterou a grande diferença de recuo entre o loteamento e as outras casas, apontando a ausência de obras de contenção e sistemas de drenagem compatíveis para escoamento da chuva. Em resposta ao MP à época, a Cetesb informou que o recuo de 30 metros do loteamento atende às determinações da lei e que a distância da Área de Preservação Permanente (APP) foi medida a partir do leito regular do rio, e não mais pelo nível da cheia sazonal. O órgão também afirmou, no entanto, que o dimensionamento hidráulico e as galerias de águas pluviais cabiam à prefeitura. Morador aciona a Câmara Moradores tiveram perdas materiais após a água invadir as casas em Guareí (SP) Ricardo Kern/TV TEM Um morador protocolou, na segunda-feira (26), um requerimento na Câmara Municipal para cobrar explicações da prefeitura sobre os alagamentos e a conclusão das obras de desassoreamento do rio. O documento também solicita informações sobre medidas de prevenção a enchentes e pede que os vereadores avaliem a possibilidade de acionar o Ministério Público para apurar eventuais responsabilidades. Entre os pedidos apresentados estão a relação das medidas adotadas pela administração municipal nos últimos quatro anos para prevenir enchentes, com contratos, valores investidos, cronogramas e laudos técnicos, além de informações sobre o plano de contingência municipal para situações de inundação. Com a chuva, o nível do Rio Guareí subiu cerca de dois metros, provocando alagamentos na Alameda Jair Martins de Siqueira e em áreas próximas. Cerca de 40 casas foram atingidas, e aproximadamente 60 pessoas ficaram ilhadas, conforme informações divulgadas durante a ocorrência. A prefeitura informou que quase todas as famílias afetadas já haviam retornado às residências até terça-feira. Dois casos específicos continuam sendo monitorados. A Defesa Civil e a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social seguem prestando apoio às pessoas atingidas, com fornecimento de itens básicos, retirada de entulho e monitoramento de áreas de risco. O que dizem os envolvidos Em nova nota, além de contradizer o informado pela prefeitura, a Cetesb também alega que enviará uma nova equipe no local para uma fiscalização. O g1 também procurou a Prefeitura de Guareí e a RV Urbanismo, responsável pelo Loteamento Santa Felicidade, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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