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'Antes ele longe de mim do que eu num caixão': vítima alerta para urgência na denúncia de violência

51% das mulheres vítimas de agressões demoram para procurar a polícia em Campinas "Eu não quero virar mais uma estatística. Então antes ele ficar longe de...

'Antes ele longe de mim do que eu num caixão': vítima alerta para urgência na denúncia de violência
'Antes ele longe de mim do que eu num caixão': vítima alerta para urgência na denúncia de violência (Foto: Reprodução)

51% das mulheres vítimas de agressões demoram para procurar a polícia em Campinas "Eu não quero virar mais uma estatística. Então antes ele ficar longe de mim, do que eu num caixão". A frase é de uma mulher vítima de violência doméstica que procurou a Polícia Civil de Campinas (SP) para denunciar o companheiro no logo após sofrer uma agressão física. Embora o depoimento reforce a urgência da busca de ajuda para encerrar o ciclo da violência, fatores como insegurança, vergonha e até mesmo o processo emocional para lidar com a situação fazem com que muitas mulheres tenham dificuldade em denunciar seus agressores imediatamente. "Quando a mulher se reconhece nesse ciclo de violência, ela já está bem fragilizada. Quando há agressão física, que geralmente é o que mais a mulher procura registrar o boletim de ocorrência, ela leva um tempo pra assimilar aquela situação e que ela está nesse local de vítima. Por isso que é bem complexo pra mulher registrar no mesmo dia", explica Grasiela Bispo, coordenadora do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceamo) de Campinas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Moradora de Campinas (SP) explica motivo de denunciar companheiro no mesmo dia em que sofreu agressão Reprodução/EPTV Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que mais da metade (50,7%) das vítimas em Campinas leva mais de um dia para registrar a ocorrência na Polícia Civil. Entre 2021 e 2025, foram registrados 14.867 boletins de ocorrência de violência doméstica em Campinas, sendo que 7.327 foram elaborados no mesmo dia em que a agressão ou ameaça ocorreu. Mas em alguns casos, a vítima só conseguiu pedir ajuda anos depois do ínício da violência. Veja os números: No mesmo dia: 7.327 (49,2%) No dia seguinte: 3.749 (25,2%) De 2-7 dias depois: 2.343 (15,7%) De 8-30 dias depois: 806 (5,4%) De 31-90 dias depois: 180 (1,2%) De 91-180 dias depois: 87 (0,58%) De 181-365 dias: 34 (0,22%) Entre mais de 1 ano (366 dias) até 5 anos depois: 34 (0,22%) Mais de cinco anos depois: 21 (0,14%) Sem data definida: 286 (1,92%) Ana Carolina Bacchi, delegada da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Campinas, explica que, mais que formalizar a ocorrência, o registro permite acesso a uma rede de apoio às mulheres vítimas de violência na cidade. "Com o boletim de ocorrência aqui em Campinas, realmente ela pode pedir a questão do abrigo, tem o auxílio moradia, tem alguns outros auxílios que abrem espaço pra isso. Mas precisa realmente do registro. Somente com o registro ela consegue ter acesso a alguns e muitos serviços que são disponibilizados aqui pra Campinas", explica. A delegada reforça que embora algumas vítimas busquem apoio inicialmente em amigos e familiares, é importante que ela procure a Polícia Civil, pois só com a denúncia ela pode ser ajudada antes que a violência possa avançar para situações mais graves e com risco de morte. "Existe mesmo um escalonamento, começa com agressões físicas e pode chegar sim ao feminicídio. Então quanto antes ela vier, quanto antes a gente puder ajudá-la, inclusive pedindo uma medida protetiva, e que pode ser solicitada de forma remota pelo site da Polícia Civil, pela DDM Online hoje. Então isso dá maior segurança pra ela", completa Ana Carolina. LEIA TAMBÉM Acolhimento, proteção e denúncia: conheça rede de apoio a mulheres vítimas de violência em Campinas O que é feminicídio? VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas

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