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Influencer presa por ligação com máfia italiana comprou imóveis de luxo em SP com dinheiro do tráfico

Paula Simões foi apontada pela PF como 'herdeira operacional' de esquema ligado à máfia italiana ‘Ndrangueta’ Redes sociais A influenciadora Paula Simõe...

Influencer presa por ligação com máfia italiana comprou imóveis de luxo em SP com dinheiro do tráfico
Influencer presa por ligação com máfia italiana comprou imóveis de luxo em SP com dinheiro do tráfico (Foto: Reprodução)

Paula Simões foi apontada pela PF como 'herdeira operacional' de esquema ligado à máfia italiana ‘Ndrangueta’ Redes sociais A influenciadora Paula Simões, presa em setembro por suspeita de envolvimento com a máfia italiana ’Ndrangheta, já foi condenada por lavagem de dinheiro na compra de dois apartamentos em São Paulo (SP). Segundo a Justiça Federal, os imóveis foram adquiridos com dinheiro do tráfico de Patrick Assisi, marido dela e apontado como chefe da organização criminosa no Brasil. Os apartamentos em áreas nobres da capital paulista foram adquiridos por Paula, em abril de 2015, por cerca de R$ 1,9 milhão. Nas escrituras, a mulher foi qualificada como solteira, mas formalizou o casamento com Patrick quatro dias depois da primeira aquisição. A defesa de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e destacou que nenhuma droga foi apreendida com a influenciadora (veja o posicionamento completo adiante na reportagem). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Para a Justiça Federal, as transações foram realizadas em nome da mulher para ocultar a identidade do real proprietário e a origem ilícita do dinheiro. À época, Paula disse que as compras foram feitas em seu nome pois Patrick ainda não possuía CPF. O dinheiro usado nas transações, segundo eles, seria proveniente de uma empresa criada por Patrick em sociedade com Paula. A Justiça apurou, no entanto, que a companhia foi criada em agosto daquele ano, data posterior às aquisições. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) também atribuiu ao casal lavagem de dinheiro na compra de um carro BMW, registrado em nome de Paula e avaliado, segundo a acusação, em cerca de R$ 100 mil. O veículo seria um presente de Patrick, segundo Paula. Como influenciadora se tornou suspeita de comandar negócios da máfia italiana no Brasil A acusação sobre o veículo, porém, foi afastada pela Justiça na sentença por falta de provas. Paula e Patrick foram condenados a mais de 3 anos de reclusão em julho de 2022, sendo que a pena foi substituída por prestação pecuniária de 50 salários mínimos à União. Em maio deste ano, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) manteve a condenação, mas alterou a pena de multa para 11 dias-multa. O casal também foi condenado prestação de serviços à comunidade. Na sentença, a Justiça apontou que Paula não tinha capacidade financeira compatível com a compra dos imóveis. Ainda em depoimento, ela afirmou que não teria conseguido comprar os imóveis e o carro registrados em seu nome sem o dinheiro de Patrick. “A infração subjacente descrita nos autos e levada a efeito pelo réu Patrick ao longo do tempo trouxe-lhe vantagem econômica, permitindo-lhe amealhar vultoso patrimônio, não existindo nos autos qualquer arrazoado que nos permita deduzir que este patrimônio tenha outra origem que não os proventos do tráfico transnacional de drogas”, diz a decisão. A Justiça decretou a perda de um dos apartamentos e dos direitos creditórios do outro imóvel. Além disso, foi determinada a perda e sequestro de valores adquiridos com locações por serem considerados frutos de bem adquiridos com recursos ilícitos. 'Herdeira operacional' Paula Simões foi apontada pela PF como 'herdeira operacional' de esquema ligado à máfia italiana ‘Ndrangueta’ Redes sociais Patrick e seu pai, Nicola Assisi, foram presos em julho de 2019. Segundo a PF, após a detenção deles, Paula assumiu a coordenação de atividades relacionadas ao tráfico de cocaína no Brasil como uma herdeira operacional. Segundo os investigadores, Paula utilizava o codinome 'Chanel' no SkyECC, aplicativo de mensagens criptografadas. A investigação analisou conversas realizadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021. A PF afirmou que a influenciadora intermediava o contato entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus, coordenando carregamentos de cocaína destinados ao exterior e participando da movimentação financeira da organização criminosa. Entre os novos fornecedores, a PF destacou Elton Leonel Rumich da Silva, conhecido como Galã, liderança da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai, que está preso na Penitenciária Federal de Mossoró. Nicola Assisi (à esq.), Patrick Cardoso (ao centro) e Patrick Assisi (à dir.) Arquivo pessoal e Divulgação/Polícia Federal A investigação relacionou Paula a Patrick Raasch Cardoso, advogado de Santos, no litoral de São Paulo, investigado por suspeita de participação no mesmo esquema de tráfico internacional de cocaína. Segundo a Polícia Federal, o advogado teria atuado como intermediário em contatos com traficantes internacionais ligados à 'Ndrangheta e, posteriormente, participado diretamente da coordenação de remessas de drogas. Além disso, o advogado teria participado da estruturação e operacionalização de atos de lavagem de dinheiro de Paula, realizando locações dissimuladas, adquirindo uma mansão de R$ 1,6 milhão e utilizando notas fiscais frias. Ele ainda foi acusado de intermediar o contato com Galã, utilizando a condição de advogado, repassando mensagens de dentro para fora da prisão. Para a PF, isso mostra que a rede não ficou restrita à 'Ndrangheta e passou a interagir com o PCC. Advogado é suspeito de operar esquema de cocaína ligado à máfia; Justiça decreta prisão US$ 6 milhões A investigação também apontou que Paula Simões e o doleiro Tharek Mourad Mourad, preso pela PF em 2025, um sistema ilícito de “dólar-cabo/token”, movimentando mais de US$ 6 milhões oriundos das atividades do chamado "clã Assis", entre 2020 e 2021. Segundo a investigação, o mecanismo funcionava por meio da entrega de dinheiro a doleiros e da liberação de numerário em outro país mediante “tokens”, que podiam ser validados pelo número de série de uma cédula. O dinheiro, conforme a PF, era utilizado para a aquisição de drogas, repasses à máfia italiana e despesas pessoais. Entre os novos carregamentos, a corporação destaca o pagamento de US$ 1,47 milhão por uma remessa de 300 kg de cocaína. Patrick Assisi e a esposa Paula Simões Divulgação e Reprodução/Instagram Posicionamentos A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de carreira e que já apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva. O advogado de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e que nenhuma droga foi apreendida com ela. Segundo a defesa, a suspeita de que as atividades criminosas teriam continuado após a prisão dos Assisi são inferências da autoridade policial, não fatos comprovados. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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