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Delegado, investigadores, advogados e doleira: quem são os 9 presos em operação contra corrupção na Polícia Civil de SP

Veja quem são os presos por corrupção policial em SP Nove pessoas foram presas nesta quinta-feira (5) durante uma operação do Ministério Público de São ...

Delegado, investigadores, advogados e doleira: quem são os 9 presos em operação contra corrupção na Polícia Civil de SP
Delegado, investigadores, advogados e doleira: quem são os 9 presos em operação contra corrupção na Polícia Civil de SP (Foto: Reprodução)

Veja quem são os presos por corrupção policial em SP Nove pessoas foram presas nesta quinta-feira (5) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Federal e a Corregedoria Geral da Polícia Civil. Entre os detidos estão quatro policiais civis suspeitos de integrar um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, teria se instalado em departamentos estratégicos da corporação. Foram presos os investigadores Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, e Rogério Coichev Teixeira, do Serviço Aerotático. Também foram detidos o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz e o delegado João Eduardo da Silva, ambos lotados na Delegacia do Jabaquara. Os quatro policiais civis foram encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil. Entre os presos também está a doleira Meire Poza, que já havia sido alvo da Operação Lava Jato. Segundo as investigações, ela é apontada como responsável pela contabilidade do grupo. Poza foi levada para a sede da Polícia Federal. Outras quatro pessoas também foram presas na operação: o advogado Antônio Carlos Ubaldo Júnior, que atuou por seis meses, entre 2023 e 2024, como assistente parlamentar comissionado de um deputado estadual; o também advogado Marlon Antônio Fontana; além de Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza. De acordo com o Ministério Público, todos são suspeitos de integrar o esquema de corrupção em setores estratégicos da Polícia Civil de São Paulo. A decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello diz que o grupo teria transformado delegacias especializadas em um centro de negociações para garantir a impunidade de criminosos. Entre as medidas autorizadas estão prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados. Como funcionava o esquema Policiais pediam relatórios de inteligência financeira (RIFs) sobre potenciais alvos de cobrança de propina. A partir dos relatórios que recebiam, mandavam intimações e cobravam dinheiro para não dar andamento em investigações. Doleiros que tomavam conhecimento de investigações ofereciam propina para os trabalhos pararem. Foram identificadas destruições de provas, como trocas de HDs apreendidos por dispositivos vazios. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades". Áudios e mensagens citam propina de até R$ 33 milhões para policiais de SP encerrarem investigações A investigação aponta que a organização criminosa utilizava métodos sofisticados para ocultar a origem de recursos ilícitos, incluindo o uso de empresas de fachada e a simulação de operações de importação. Um dos pontos centrais do esquema seria a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição, operada por meio de estabelecimentos comerciais fictícios. Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, alvos da Operação Lava Jato, são apontados como operadores do grupo. Segundo o Ministério Público, a rede contava com a colaboração de agentes públicos para evitar fiscalizações e encerrar inquéritos após o pagamento de propina. Também há um mandado de prisão contra Meirelles, que ainda não foi localizado pelos agentes. Ele já era procurado em outro processo que já tinha condenação e não havia sido preso. A defesa deles não foi localizada pela equipe de reportagem. Dinheiro encontrado em gaveta de policial alvo de operação contra corrupção na Polícia Civil de SP Divulgação Corrupção em departamentos de elite O documento judicial detalha episódios de corrupção no Departamento de Investigações Criminais (Deic) e no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Em um dos casos relatados, investigados teriam tido acesso às dependências do DPPC para substituir um disco rígido (HD) apreendido por um dispositivo sem informações incriminatórias. Também há menções a pagamentos de propina realizados no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e extorsões conduzidas no âmbito do 16º Distrito Policial (Vila Clementino). Em um dos episódios citados pela Promotoria, policiais teriam exigido R$ 5 milhões para não dar prosseguimento a um inquérito. No total, foram decretadas as prisões de 11 investigados. A Justiça autorizou ainda o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e às empresas de fachada utilizadas pelo grupo. Os alvos incluem residências particulares, escritórios de advocacia e as sedes das delegacias onde os policiais investigados estavam lotados (DPPC, DEIC e 16º DP). Decisão judicial Ao fundamentar as medidas cautelares, o magistrado destacou o que classificou como "subversão ao dever funcional" por parte dos agentes envolvidos. A decisão ressalta que a gravidade dos fatos e a reiteração das condutas justificam a intervenção judicial para interromper as atividades da organização. Origem das investigações A investigação que resultou na operação desta quinta é um desdobramento da Operação Recidere, deflagrada em 2023 contra um esquema bilionário de envio de dinheiro ilícito ao exterior. Na época, os investigadores identificaram que os operadores do esquema movimentaram, em dois anos, R$ 4 bilhões por meio de dezenas de contas bancárias de empresas de fachada. O grupo era composto pelos maiores doleiros do país, controlava pessoas jurídicas abertas em nome de "laranjas", obtinha habilitação e fechava contratos de câmbio com base em faturas comerciais falsificadas para ocultar remessas de terceiros que queriam manter anonimato e driblar órgãos de controle. O doleiro Leonardo Meirelles foi o principal alvo da Operação Recidere. Depois da análise do conteúdo dos aparelhos celulares apreendidos, foi identificado que um grupo de operadores financeiros também estava envolvido em um grave esquema de corrupção envolvendo policiais civis de São Paulo, entre eles delegados e investigadores da ativa, que recebiam propina para obstruir investigações ou deflagraram ações para depois cobrarem dinheiro dos investigados. Uma delas é a Operação Fractal, que revelou um esquema de lavagem de dinheiro com uso de empresas de fachada que simulavam operações comerciais para mascarar a origem ilícita dos valores, além de se usar intermediários para comprar criptomoedas e outros ativos digitais para dificultar o rastreio do dinheiro. No decorrer da investigação da Operação Fractal, foram apuradas tratativas ilícitas e atos de fraude processual por parte dos policiais civis, além de corrupção sistêmica, principalmente por parte de policiais vinculados ao Deic, ao DPPC e ao 16º Distrito Policial. Os diálogos obtidos na análise dos celulares obtidos indicam a ocorrência de diversos atos de corrupção no âmbito do DPPC durante a investigação decorrente da Operação Fractal que acarretaram na frustração das investigações e na blindagem dos integrantes da organização criminosa investigada. Doleiros da Lava Jato são investigados em esquema de corrupção na Polícia Civil de SP

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