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Amigo de tenente-coronel, desembargador não interferiu em cena do crime, diz corregedor da PM

Veja o momento que tenente-coronel deixa condomínio com policiais no interior de SP O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan não interferiu na ce...

Amigo de tenente-coronel, desembargador não interferiu em cena do crime, diz corregedor da PM
Amigo de tenente-coronel, desembargador não interferiu em cena do crime, diz corregedor da PM (Foto: Reprodução)

Veja o momento que tenente-coronel deixa condomínio com policiais no interior de SP O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan não interferiu na cena do crime e agiu apenas como amigo do tenente-coronel Geraldo Neto, suspeito de matar a esposa, a soldado da PM Gisele Alves, segundo o coronel Alex Asaka, comandante da Corregedoria da Polícia Militar. A declaração foi dada em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (18), após a prisão preventiva do oficial. Ele foi localizado pela polícia em São José dos Campos, no interior paulista. Soldado da Polícia Militar, Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, no Centro da capital, no dia 18 de fevereiro. Segundo a investigação, após acionar a polícia e o Corpo de Bombeiros, o tenente-coronel telefonou para o desembargador, que foi até o local. Tenente-coronel humilhava e chamava esposa morta de ‘burra’, dizem mensagens: 'lugar de mulher é em casa, cuidando do marido’ Imagens de câmeras de segurança do condomínio registraram a chegada do magistrado pouco depois do disparo. Os registros mostram Cogan conversando com o tenente-coronel próximo a outros policiais militares que atendiam a ocorrência. Na coletiva, o delegado Denis Saito do 8° Distrito Policial, que investiga o caso, afirmou que o desembargador já prestou esclarecimentos e que não houve irregularidade na conduta dele. "Ele foi na condição de amigo e analisada todas as condutas captadas pelas câmeras corporais não foi detectada qualquer ato de ingerência do mesmo. Então realmente não tem nada a ser apurado em relação à conduta do mesmo", explicou o delegado. Coronel Geraldo Neto (ao centro) é preso pela Corregedoria da PM por suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Reprodução/TV Globo Prisão A prisão preventiva do tenente-coronel foi decretada pela Justiça Militar. Ele foi detido, nesta quarta-feira (18), em São José dos Campos e indiciado por feminicídio e fraude processual, por suspeita de ter alterado a cena do crime. Segundo o Tribunal de Justiça Militar, a medida foi tomada para garantir a ordem pública, preservar a investigação e manter a hierarquia e a disciplina na corporação. A decisão também cita risco de interferência nas apurações, incluindo possível influência sobre testemunhas. A Justiça determinou ainda a apreensão de celulares, a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas com a Polícia Civil. O oficial deve ser encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital, após realizar os exames de corpo delito e passar por audiência de custódia. A PM Gisele Alves Santana e o tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de assassinar a mulher no apartamento onde eles viviam, no Centro de São Paulo. Reprodução/TV Globo Inicialmente, o coronel afirmou que a esposa havia se suicidado após uma discussão, mas a versão foi descartada após a Polícia Civil tratar o caso como morte suspeita e laudos periciais indicarem homicídio. (Leia mais abaixo.) Procurada, a defesa do tenente-coronel afirmou que a Justiça Militar não tem competência para analisar e julgar o caso, que deve ser encaminhado à Justiça comum. 🔎 No Brasil, a definição sobre qual Justiça julga policiais militares depende da natureza do crime e de quem é a vítima: crimes militares, ligados à função ou contra outros agentes da corporação, ficam na Justiça Militar, enquanto crimes comuns — especialmente contra civis, como homicídio — são analisados pela Justiça comum. Laudos apontam feminicídio A decisão das autoridades em pedir a prisão de Geraldo aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao inquérito laudos relacionados à morte de Gisele. Indícios que constam em dois dos 24 laudos foram determinantes para isso: Trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima; Profundidade dos ferimentos encontrados. Resultados de exames, como o necroscópico, o da exumação do corpo e o toxicológico foram cruciais para a delegacia concluir que Geraldo matou Gisele por ciúmes e possessividade. O oficial tem 53 anos; Gisele tinha 32. Muitos dos laudos foram refeitos a pedido da própria investigação porque havia dúvidas sobre as circunstâncias da morte da soldado. Veja abaixo a importância de cada um deles para a investigação: Necroscópico: concluiu que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada e morta com um tiro na cabeça; Trajetória do tiro: apontou que o disparo foi dado de baixo para cima e com o cano encostado na cabeça; Exumação: vários exames foram refeitos no corpo, até mesmo complementares, como o necroscópico; Toxicológico: não encontrou resquícios de álcool ou drogas, descartando a possibilidade de ela ter bebido ou estar dopada; Residuográfico: não detectou pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo; De local de crime: Gisele foi encontrada caída e segurando a arma, o que é incomum em casos de suicídio _segundo peritos, o mais provável é que ela largasse a pistola. Laudo mostra que PM morta em São Paulo tinha ferimentos no rosto e no pescoço Outros pontos que chamaram a atenção: O fato de o coronel ter telefonado para a PM, para pedir socorro, apenas 29 minutos minutos após uma vizinha escutar um tiro; O coronel havia dito que tinha tomado banho antes de a mulher atirar, mas quando socorristas chegaram ao imóvel o encontraram com o corpo seco; Somente após ter ligado para um desembargador amigo dele, que foi à residência, é que Geraldo foi se banhar, desobedecendo inclusive orientação de policiais militares que estavam no local. Câmeras de segurança gravaram o encontro do coronel com o desembargador (veja vídeo nessa reportagem); Exames indicaram a presença de sangue de Gisele no box do banheiro e em outros cômodos do apartamento. A perícia usou o luminol _equipamento com reagente químico, que indica substância hematóide contra a luz _ para achar as gotas de sangue; Após a perícia na residência, três policiais militares mulheres foram até lá limpar o imóvel. Por causa dessa conduta, o coronel passou a ser investigado pela Corregedoria da PM também por abuso de autoridade. Geraldo havia pedido afastamento da corporação após a morte da esposa; Sexológico: constatou que ela não estava grávida; Reconstituição: conhecido tecnicamente como reprodução simulada, ele apresentará por meio de fotos as versões que Geraldo e testemunhas deram para o que ocorreu. Ainda não ficou pronto. O tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana. Reprodução/TV Globo

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