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Advogados são condenados após deixarem de repassar a cliente R$ 239 mil de ação ganha; polícia investiga outros casos

Advogados são condenados após deixarem de repassar R$ 239 mil de ação ganha a cliente O escritório de advocacia Cremasco, de Campinas (SP), e os advogados ...

Advogados são condenados após deixarem de repassar a cliente R$ 239 mil de ação ganha; polícia investiga outros casos
Advogados são condenados após deixarem de repassar a cliente R$ 239 mil de ação ganha; polícia investiga outros casos (Foto: Reprodução)

Advogados são condenados após deixarem de repassar R$ 239 mil de ação ganha a cliente O escritório de advocacia Cremasco, de Campinas (SP), e os advogados José Antonio Cremasco e Thais Proença Cremasco foram condenados a pagar R$ 239,5 mil a um cliente que não recebeu o valor ganho em uma ação trabalhista de 2014. Cabe recurso da decisão, que foi publicada na sexta-feira (3). De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Civil investiga outros supostos casos de apropriação de valores que seriam destinados a trabalhadores em processos sob responsabilidade do mesmo escritório e dos mesmos defensores. Há, pelo menos, nove inquéritos. Um deles, em 2025, foi instaurado após denúncia encaminhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Em entrevista à EPTV, emissora afiliada da TV Globo, Thais responsabilizou José Antonio, de quem é filha, pelas supostas apropriações — leia a manifestação completa abaixo. A advogada afirmou que os clientes firmaram os contratos de prestação de serviços com o escritório do pai, onde ela não trabalha desde 2024 após romper relações devido a reclamações de trabalhadores que teriam sido prejudicados. "É importante ressaltar que o Cremasco [José Antonio] quem indicava em qual conta o dinheiro deveria cair. Eram mais de 20 escritórios, de 20 advogados na equipe, e cada um recebia esse dinheiro e passava para o Cremasco, que era o advogado do processo. Ele pagava os clientes", contou. "Jamais eu, enquanto advogada, enquanto filha, imaginei que ele poderia estar se apropriando de dinheiro de clientes", completou. Thais e José Antonio Cremasco foram condenados a pagar trabalhador Reprodução/EPTV/Divulgação Por sua vez, José Antonio responsabilizou Thais pelas supostas apropriações, já que a filha "detinha total gerência tanto da conta corrente de minha conta empresarial como de sua própria". Ele ainda ponderou que não há qualquer notícia de cliente que não tenha recebido valores decorrentes de processos anteriormente a 2022 ou desde o ano de 2025 — leia abaixo. "Mesmo assim, tem encaminhado e pago processos de clientes da Advocacia, mesmo quando estes valores sequer foram pagos em sua conta corrente empresarial ou tiveram montantes à sua disposição", disse José Antonio. Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que Thais não integra mais o Conselho Seccional da Ordem paulista, tendo renunciado ao cargo neste ano. Quanto às supostas apropriações, há processos em trâmite no TED (Tribunal de Ética e Disciplina), sob sigilo legal. O MP foi procurado, mas não se manifestou até a última atualização desta matéria. Condenação Polícia investiga pai e filha advogados por desvios contra clientes em Campinas De acordo com a decisão do juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas, um homem teria contratado o escritório Cremasco para defendê-lo em uma ação trabalhista, que tramitou na 10ª Vara do Trabalho de Campinas. O trabalhador teria vencido o processo, no valor de R$ 319.402,58. Do total, 25% ficariam com o escritório por conta dos honorários, enquanto R$ 239.551,93 deveriam ser repassados ao cliente. Por meio de um alvará judicial, o homem ficou sabendo que o pagamento pela ação já tinha sido feito a uma conta relacionada ao escritório. Ele notificou extrajudicialmente os advogados, mas não teve resposta, por isso entrou com a ação para conseguir o montante a que tem direito. "A conduta dos réus configura inadimplemento contratual e ato ilícito, na medida em que os mandatários levantaram os valores resultantes do êxito da reclamação trabalhista e não os repassaram ao mandante, retendo montante além do que lhes era autorizado pelo contrato", avaliou Guinsani. José Antonio, Thais e o escritório foram condenados a pagar os R$ 239,5 mil devidos, bem como R$ 20 mil como indenização por danos morais. Outros casos Felipe contou ter sido uma das vítimas após vencer processo trabalhista Reprodução/EPTV A EPTV conversou com outras duas supostas vítimas da situação. O ambulante Felipe Costa Araújo sofreu um acidente na empresa de pintura onde trabalhava, foi demitido e moveu uma ação trabalhista. Ele ganhou o processo em 2018, mas passou a desconfiar que a parte a que tinha direito do valor recebido pelo escritório Cremasco não foi repassada. "Comecei a ligar para eles e querer o dinheiro e eles só me enrolando, me enrolando, me enrolando. E aí eu cansei e coloquei outro advogado para ver o que estava acontecendo. Quando fui ver, eles já tinham recebido o dinheiro", contou Felipe. Já Edson Vidotti, moveu um processo trabalhista contra a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) em 2021 e ganhou. A empresa fez os pagamentos em seis parcelas, uma delas superior a R$ 200 mil, mas o escritório não fez o repasse. "Eu ia lá e eles falavam: 'não caiu mais, não caiu dinheiro'. Várias vezes. Não atendia a gente corretamente", relatou. De acordo com os advogado Danilo Andrietta, que defende Edson, o escritório Cremasco transferiu apenas R$ 55 mil, retendo em torno de R$ 370 mil, que seria de direito dele após o desconto dos honorários. "A justificativa deles é que eles estavam com problemas operacionais e dificuldades de identificar qual recurso era de qual cliente e que, por conta disso, eles não haviam conseguido fazer a transferência. Uma justificativa que não fazia o menor sentido", disse Danilo. O que diz Thais Thais diz que José Antonio teria confessado formalmente dívidas com clientes Arquivo pessoal/Reprodução Thais disse que, no caso da condenação, assim como em outros, o dinheiro não caiu em sua conta e que ficou sabendo por meio do cliente. Segundo ela, todos os advogados do escritório tinham de transferir valores relacionados a processos a uma conta indicada por José Antonio, que ficaria responsável por fazer os pagamentos. Por isso, a advogada só teria ficado sabendo das apropriações por conta de reclamações de clientes. "Os clientes pediam andamento de processo, iam até o escritório, questionavam isso. Eu levava esses questionamentos para o Cremasco e ele sempre disse: 'o processo é meu, o cliente é meu, passe o cliente para mim que eu vou resolver'", relatou. Thais afirmou que, antes do rompimento de relação com o pai em 2024, ele teria assinado um documento no qual supostamente reconheceu a responsabilidade sobre as dívidas com os clientes. "Infelizmente existem muitas provas de violências mesmo verbais contra a minha pessoa e eu perdi um pai, perdi o meu herói, perdi o meu melhor amigo. Mas, talvez, eu tenha precisado de tudo isso para encontrar a minha força e para caminhar não só pela minha imagem, mas por todas as mulheres que eu represento", desabafou. A defensora ainda comentou que é "muito difícil reconhecer isso como filha", mas que "é muito nítido" que José Antonio "cometeu apropriação indébita". Ela ainda se propôs a ajudar as supostas vítimas pedindo a penhora de honorários advocatícios de futuros processos judiciais relacionados ao escritório. "Pode parecer incrédulo que uma mulher que trabalha com violência doméstica assine um documento em branco, empreste seu nome para que alguém faça dívidas em seu nome, mas essa relação de confiança, de afeto, me fez de fato acreditar que ele jamais seria capaz de cometer todas essas atrocidades", finalizou. O que diz José Antonio Imagem de arquivo de José Antonio Cremasco Reprodução/EPTV O advogado enviou uma nota, na qual diz: Que não tinha gestão financeira do escritório no período entre 2022 e 2024, quando a dra. Thaís Proença Cremasco, filha do signatário, detinha total gerência tanto da conta corrente de minha conta empresarial como de sua própria; Que, mesmo assim, tem encaminhado e pago processos de clientes da Advocacia, mesmo quando estes valores sequer foram pagos em sua conta corrente empresarial ou tiveram montantes à sua disposição; Que a dra. Thaís Cremasco não tem vínculos com a Advocacia Cremasco desde novembro/2024, encontrando-se junto à Justiça processo de prestação de contas do período supra; Que não há qualquer notícia de cliente que não tenha recebido valores decorrentes de processos desde o ano de 2025 ou anteriormente a 2022; Que efetuou a contratação de profissional especialista em administração de escritórios em agosto/2025, terceiro a qualquer relação pessoal, a fim de organizar financeiramente os recebimentos da Advocacia Cremasco e não haver problemas como os mencionados em referida matéria; Que o Judiciário, mesmo ciente da situação, continua a emitir alvarás de levantamento à dra. Thaís Proença Cremasco, mesmo com procuração especial para recebimento revogada expressamente desde sua saída do escritório, em novembro/2024; Que reconhece sua responsabilidade pelo nome do escritório e se encontra à disposição de todos os clientes, atuando em Campinas desde 1980 e no mesmo endereço profissional há mais de 20 anos, efetuando o pagamento de todos os clientes em atraso na medida em que tem novos recebimentos. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

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